© 2016 por Alessandra Rigazzo. Criado com Wix.com

Posts Recentes

Homeschooling (ou Educação Domiciliar) e Necessidades Especiais e/ou Deficiências

3.6.2017

 

 

Em nossa primeira consulta com a neurologista infantil, quando levamos o exame de ressonância magnética com o resultado do primeiro diagnóstico do meu filho mais novo (Agenesia do Corpo Caloso), recebemos dela um conselho que levamos para a vida: aprenda com as terapeutas e faça você mesma! 

 

Através desse conselho, a neurologista queria me incentivar a  conhecer meu filho mais profundamente, conhecer as intervenções e ao juntar essas informações agir de forma intencional no dia-a-dia para estimular ao máximo as potencialidades e o desenvolvimento dele.

 

Isso aconteceu quando ele tinha 8 meses. Hoje ele está com 8 anos de idade. Minha história como mãe tem sido marcada pela pesquisa, pelos questionamentos, pela aprendizagem e pela ação. Participo ativamente de todas as terapias que ele faz (Fono, Fisio, Terapia Ocupacional), pois acredito que somos parceiras de trabalho. As terapeutas conhecem as técnicas, eu conheço meu filho e juntas podemos fazer um trabalho bem feito. Como Pedagoga de formação, faço diversos cursos na área da educação especial e da neurociência e tenho prazer em permanecer em constante formação.

 

Os títulos não me interessam. O que importa mesmo é obter informações confiáveis, conhecimento relevante e ajustá-los a minha realidade e à necessidade do meu filho. Desta forma, além de ser intencional, incluindo as orientações das terapeutas no decorrer do nosso dia (para além dos momentos do atendimento propriamente dito), também sou a professora do meu filho e posso dizer que sempre realizamos homeschooling (ou educação domiciliar), ora de forma parcial (em contra turno com a escola), ora de forma integral (por motivos de saúde).

 

E por que estou dizendo tudo isso? Porque quero incentivar as famílias que passam pela mesma situação e para isso vou levantar aqui alguns pontos que considero importantes quando falamos sobre "dificuldades e vantagens". Assim, além do incentivo também podemos ajustar o ponteiro das expectativas.

 

Dificuldades e Vantagens da Educação Domiciliar (em casos de deficiência e/ou necessidades especiais de educação)

 

1- Apesar de ser um grande privilégio, ensinar meu filho tentando estimular todas as suas potencialidades, é também uma grande responsabilidade que exige paciência, tempo,  muita disciplina, planejamento e foco. Com todas essas exigências, é fundamental que a haja entendimento e um acordo de toda a família, sobretudo entre o casal/pais.

 

2- Diferente da escola, onde para cada função há um profissional diferente, na educação domiciliar, eu sou não só a professora, mas também a monitora, a cozinheira, a faxineira, a coordenadora pedagógica, a diretora, e preciso ter a consciência disso durante todo o planejamento. Concluindo,  demanda muito trabalho, pois além de exercer várias funções, quero que todas elas sejam feitas com excelência.

 

3- Para que a casa seja, além de um ambiente familiar, também um ambiente de aprendizagem de conteúdos, há a necessidade de que ofereça um ambiente estruturado e organizado. Você não precisa ter várias salas disponíveis, mas precisa que o espaço físico seja organizado (você começa com pouco material e depois de umas semanas, você terá muita coisa!). Ter uma mesa de trabalho, com cadeira adequada, materiais facilmente acessíveis, faz muita diferença. Além do espaço físico, a organização do tempo e da rotina de toda a família também são importantes, já que a educação domiciliar envolve toda a família e não ocorre só dentro de casa.

 

4- Ser intencional em grande parte do tempo, às vezes, pode ser um pouco cansativo, principalmente no começo. Vou dar um exemplo bem simples, colocar a roupa no varal pode ser uma atividade rápida se você fizer sozinha, mas pode ser demorada e cansativa se você tiver uma atitude intencional e levar seu filho junto para treinar coordenação motora no uso dos prendedores. Agora leve esse exemplo para todas as outras possibilidades do dia. Ufa! Ser mãe homeschooler/educadora transforma-se em um estilo de vida, então a gente acaba fazendo isso até sem perceber, mas buscar o equilíbrio é sempre importante, tanto para a mãe, quando para o filho. Na verdade, para toda a família.

 

5-  A possibilidade de ofertar um ambiente adequado para a aprendizagem da criança com deficiência é um dos fatores vantajosos da educação domiciliar. Além da estrutura física, incluo aqui as questões sensoriais (livre de sobrecarga) e o acolhimento afetivo.

 

6- Adequação da rotina é mais um ponto positivo. E isso diz respeito tanto aos ajustes necessários para cada necessidade (um exemplo do que acontece muito aqui em casa: noites em claro e, consequentemente, dias difíceis) quanto a manutenção rígida da rotina como fator importante da organização do comportamento do aluno que precisa de situações previsíveis. Não é sobre seguir só um ou outro, mas sobre ter a flexibilidade com equilíbrio adequado.

 

7- Diferente do que acontece na escola, onde a professora precisa seguir o cronograma escolar pré-determinado e igual para toda a turma, em casa eu tenho a oportunidade de investir tempo naquilo que realmente importa, incluindo habilidades da vida diária no currículo, além do conteúdo acadêmico, por exemplo. Tenho a oportunidade de respeitar o ritmo do meu filho na mesma proporção que posso encorajá-lo a superar as limitações.

 

8- Na escola, a professora atende cerca de 30/40 alunos e não tem condições de dar a atenção que um aluno com deficiência precisa. Já no ambiente familiar, tenho a possibilidade de tratar no um-a-um. Além dos direcionamentos adequados no momento certo, ainda tenho o privilégio de nutrir a alma do meu filho em todo o tempo.

 

9- Em alguns casos, se faz necessária a adequação na alimentação. Por exemplo, situações de alergias alimentares bem sérias, uso de sonda gástrica, ou dificuldades de mastigação e deglutição. Para esses casos, o ambiente escolar pode apresentar riscos e não há lugar melhor que o próprio lar. No caso do meu filho, há uma grande dificuldade relacionada a toda questão sensorial.

 

10- A prática da educação domiciliar torna possível a realização de atividades sociais diferenciadas em família, entre amigos, ou mesmo entre mãe-filho, em horários menos tumultuados. Assim, proporcionando socialização não apenas com seus pares (na praça, no playground) como também com diferentes pessoas da sociedade (o caixa do mercado, a atendente da loja), fazendo valer a inclusão social de fato.

 

11- Não é necessário ter uma formação acadêmica específica para que você atue intencionalmente como mãe educadora, mas é importante que você mantenha-se atualizada, informada e em contato com pessoas que possam te orientar. Vale as terapeutas, vale a pedagoga especialista, vale cursos livres, vale troca entre mães... Você pode não ser especializada em educação, mas é especialista no seu filho. Eu sou a pessoa que melhor conhece o meu filho, a mais capacitada a reconhecer suas dificuldades e forças. Enquanto mães, temos um olhar apurado para desvendar o estilo de aprendizagem, podendo assim, ser mais diretas e objetivas no planejamento.

 

12- Elaborar atividades e materiais estruturados conforme interesse da criança e necessidade de adaptações. Esse ponto pode entrar tanto como dificuldade, por ser trabalhoso, como por vantagem por ser personalizado. Aí é você quem escolhe como quer enxergar. No caso do meu filho, por exemplo, todas as atividades e materiais precisam de adaptações. As atividades devem ser estruturadas e os materiais adaptados e, dificilmente encontramos escolas dispostas a preparar um material individualizado. Além disso, ainda posso utilizar as estratégias e as intervenções mais adequadas para ele, que não são utilizadas na escola.

 

Meu conselho (em aspectos gerais, para além das intervenções):

Não permita que tudo vire rotina (num sentido ruim), com atitudes mecânicas e sem vida. Não se esqueça jamais que seu filho é uma pessoa completa, tem uma identidade, sentimentos, habilidades e desejos, além das necessidades. Olhe sempre para ele enxergando a pessoa que ele é, independente do seu corpo limitado, do seu comportamento inadequado socialmente ou da falta de expressões verbais. Mantenha o equilíbrio e procure aproveitar os momentos simples da vida.

 

Sobre os termos utilizados no título do post:

Homeschooling, nome utilizado para esta prática em países de língua inglesa.

Educação Domiciliar, nome utilizado no Brasil, juntamente com "educação familiar". Ainda não há um nome oficial em língua portuguesa para esta prática.

Deficiências, refere-se às pessoas com deficiências, as mais variadas.

Necessidades Especiais, refere-se às condições adequadas para o desenvolvimento da aprendizagem, às necessidades de se adaptar (espaço, rotina, materiais, atividades) e fazer diferente do que se oferece normalmente nas escolas. Isso não está, necessariamente, ligado a um diagnóstico de deficiência, podendo incluir crianças com alto grau de alergia alimentar ou aquelas com doenças crônicas e frequentes internações hospitalares, por exemplo.

 

Para acompanhar algumas das atividades que faço com meu filho, siga o perfil @pedagogia_ativa no Instagram.

 

 

Compartilhar no Facebook
Twitter
Curtir
Please reload

Recentes

December 9, 2018

August 24, 2018

Please reload

Arquivo
Please reload

  • Facebook Basic Square
  • Snapchat Social Icon
  • Instagram Social Icon
  • Twitter Basic Square

Alessandra Rigazzo

Intencional até nas pequenas coisas