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No encontro

24.8.2018

Estava escrevendo um texto sobre casamento (mais especificamente sobre as dificuldades e a beleza do relacionamento) e me lembrei do dia em que recebi o convite para a conversa com o tema "novas donas de casa". Estive no programa para falar um pouco sobre minha experiência como mulher que esteve no mercado de trabalho e decidiu parar de trabalhar fora, para trabalhar dentro, dedicando mais tempo aos cuidados com a família. 

 

Postei no Instagram uma reflexão sobre casamento e um trecho do vídeo e, como muitos pediram para assistir ao vídeo completo, decidi colocá-lo aqui e com ele o depoimento que escrevi para o site "Donas de casa anônimas", em 2013,  que foi o motivo do convite. Você pode optar por ouvir o audiobook .

 

Agora, uma pausa importante! Apenas continue a ler se você...

 

...entende que tudo o que está aqui é: 

- relato da minha experiência, contada parcialmente (não dá para expor a vida em detalhes, não é?!)

- resultado das decisões que tomamos (marido e eu), baseados em nossos princípios.

 

...entende que:

- não estou dizendo o que você deve fazer,

- não estou dizendo o que é certo e errado,

- não estou  dizendo que a vida é bela,

- não julgo quem faz diferente ou igual.

 

Beleza? Então, relaxa e pegue uma xícara de café para me ver enroscando nas palavras...rs

 

 

Gostaria de ter falado um pouco mais sobre a importância do trabalho da mulher dentro de casa (da que trabalha fora ou não), sobre as implicações das escolhas que uma mulher faz em seus diversos aspectos e das situações em que escolher nem é uma opção possível. Contudo, como podem ver o tempo é bem curtinho e as perguntas são surpresas.

 

 

O retorno para casa

 

“Sonho com a tarde em que estarei em minha casa, limpa e arrumada, fazendo um chá e um bolo no forno para o lanche da tarde com meu filho.”

Nunca me esqueço das vezes em que dizia isso para minha colega de trabalho, quando estávamos com nossos alunos no parque de areia da escola. Naquela época, isso era mesmo um sonho, quase uma utopia.

Além de ser responsável pelas finanças da família, com a maior renda da casa, já que meu marido era bolsista e estava cursando o mestrado em tempo integral, eu tinha uma profissão para a qual eu havia me preparado. O curso natural era “avançar” e avançar significava estar atuante no mercado de trabalho.

Sempre gostei e dediquei-me ao máximo no exercício da minha profissão, no entanto, deixar minha casa e meu filho pequeno para cuidar de outras crianças, não estava fazendo muito sentido, apesar da diferença que sei que fazia na vida dos meus alunos.

Ao mesmo tempo em que eu queria “ser útil” para a sociedade e salvar o mundo, sentia-me frustrada em não acompanhar de perto todas as conquistas do meu filho.

Quando meu marido estava na fase do doutorado, foi necessária uma mudança de país para concluir as pesquisas. Eu, que era funcionária pública, escolhi acompanhá-lo e pedi exoneração.

No mercado de trabalho eu poderia ser substituída, inclusive por profissionais muito melhores. Em casa, ninguém poderia me substituir como mãe e como esposa.

A partir daí tive a oportunidade de servir a minha família em tempo integral. Era um sonho realizado, era a minha escolha.

Ainda assim, às vezes, pensava: “tenho condições de  fazer tantas coisas e colaborar  com a sociedade …” Estaria eu sendo desperdiçada dentro de casa? Quanta ingenuidade!

Foi quando percebi que eu era capaz de ler os sinais. Foi como um click!

Longe da correria do emprego fora de casa, dos horários rígidos, preparação de aulas, elaboração de materiais, dos problemas e dificuldades do ambiente de trabalho, da afobação nos afazeres domésticos no pouco tempo que sobrava, eu tinha tempo e condições de perceber detalhes importantes.

Ao fim do dia, eu estava ansiosa em receber meu filho e meu marido, estava com a casa preparada, com comida verdadeira na mesa, com os ouvidos dispostos a ouvir o que eles tinham a dizer, o olhar atento aos gestos e expressões. Percebi que havia muitas coisas que só eu como esposa e mãe poderia fazer, coisas que não seriam supridas nem pela melhor funcionária ou por muitas delas.

Percebi que podia ler nas entrelinhas se o dia deles havia sido difícil ou leve. Meu físico e meu emocional estavam prontos para perceber e suprir as necessidades que, se ignoradas com frequência, poderiam tornar-se um problema.

A minha postura ao lidar com a carga que meus queridos traziam para casa é que iria fazer a diferença na formação da nossa família. Eu iria ignorar os sinais ou iria lidar com atenção, de forma a acolher e encorajá-los? Iria gritar palavras à toa ou conversar pacientemente e oferecer carinho? A paz dentro do meu lar dependia das minhas atitudes como mulher/mãe.

Embora pudesse parecer para alguns que eu havia me rebaixado à função de dona-de-casa,  na verdade eu havia descoberto o meu principal papel como mulher: oferecer à minha família, uma casa limpa, organizada e confortável, com um ambiente acolhedor de paz e encorajamento.

Todos os outros projetos não foram necessariamente excluídos, apenas adiados (ou não!) para o momento certo, quando eu tiver a certeza de que eles podem ser realizados sem prejudicar a minha principal função. A melhor maneira que tenho de contribuir com a sociedade é formando uma família com valores consolidados.

Hoje eu entendo que posso fazer tudo o que quero fazer e ser tudo o que quiser ser (esposa, mãe, dona-de-casa, estudante, profissional, palestrante, voluntária, etc), só não precisa ser tudo ao mesmo tempo. Cada atividade na sua hora, e cada hora vivida intensamente.

Cozinho, lavo louça, lavo e passo roupas, limpo a casa, lavo banheiro, faço bolos,  faço a feira, organizo a rotina da casa, ajudo nas lições do filho mais velho, ajudo nas terapias do filho mais novo, leio, cuido das unhas e dos cabelos, faço artesanato para minha casa, sou companheira do meu marido, cuido, educo, transmito minhas crenças e valores aos meus filhos…e no meio disso tudo, sempre ouço a pergunta: “Você não trabalha…fora?” (quase uma acusação!).

E com muita coragem e consciência do valor do que faço, respondo o que aprendi com Helena Tannure: “Eu trabalho DENTRO…e MUITO!" (2013, DCA)

 

Todas nós passamos por momentos e fases diferentes ao longo da vida, o relato acima não é para trazer um peso sobre os ombros, não é uma discussão sobre quem faz mais e melhor, é sobretudo, sobre tomar decisões intencionais sabendo que para todas elas há consequências. Se trabalhar fora faz parte da sua vida, dentro desse contexto que decisões intencionais você pode tomar a fim de ter qualidade de vida para você e sua família?  Minha sugestão é: pense sobre isso, ore e converse com seu marido. 

 

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Alessandra Rigazzo

Intencional até nas pequenas coisas